sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Histórias de flertes, paqueiras e amores no Criri


     Eu te fito tu me fitas
     (1946 aos nossos tempos)
                                    Histórias de flertes, paqueiras e amores no Cariri


Referências Bibliográficas:
PENSAVENTO, Sandra Jatahy. História & História Cultural,História &...Reflexões, Autêntica Editora.
Le Goff, Apologia da História, Sindicato Nacional dos editores de Livros, Rio de Janeiro, 2002.
CAPELATO,Maria Helena R. Multidões em Cena, Propaganda Política no Varguismo e no Peronismo, Papiros Editora.
SANTOS, Jair Ferreira d. O que é Pós-Moderno, 23. Reimpressão. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BURKE, Peter,A Escola dos Annales (1929 - !989) A Revolução Francesa da Historiografia. 6.ed.São Paulo:Unesp,1990.
REIS,José Carlos Reis, Escola dos Analles, A Inovação em História, São Paulo: Paz e Terra, 2000.
FICHER,Helen. Sexo Milenar,Veja 25 anos  Reflexões para o Futuro, Sao Paulo, p.28-39, 1993.

                                            




                                                  Eu te Fito Tu me Fitas      
                                                (1946 aos nossos tempos)
                                 Histórias de flertes, paqueras e amores no Cariri
           

 A presente pesquisa tem como objetivo coletar depoimentos de moradoras e moradores da região caririense que viveram sua mocidade num passado próximo anos 50 e suas posteriores décadas até chegar aos nossos dias, as entrevistas serão realizadas com senhoras, senhores e jovens que tenham idade entre 15 anos e 85 anos, elegemos como ponto de partida a década de 50 como o primeiro cenário para a partir dele conhecermos as gerações posteriores afim de perceber quais as especificidades das relações de afetos entre homem e mulher dessas décadas,comparado-as com as especificidades das relações hoje, focando costumes e  usos materiais do universo dos enamorados da sociedade sertaneja passada e atual. No intuito de ligar as duas realidades, bem como diferenciá-las mostrando as mudanças sofridas nessas interações afetivas, nas suas maneiras de pensar, agir e celebrar as afetividades entre feminino e masculino. No decorrer dos tempos percebemos a existência de variadas formas de expressões amorosas
Essas são influenciadas pelos meios midiáticos , pelos valores familiares, religiosos e pela sede de inovar e renovar que as juventudes embaladas pelos ideais de liberdade mudam conceitos e os preservam , os moldam dando novas inspirações as gerações futuras e construindo novos imaginários coletivos. Esse sentimento cantado nos bairros das cidades e no campo caririense inspiraram e inspiram corações apaixonados, os seresteiros das noites enluaradas, as danças,brincadeiras , as histórias  dos viventes caririense.
Seus anseios de felicidades e suas dores se moldam a valores tradicionais e ao mesmo tempo estão em constante transformação.  Relacionando tradição e inovação  constrói-se  novas formas de sobreviver  e  de se unir ajustando-as as suas realidades sociais marcada pelo trabalho e pelo sofrimento, o ser sertanejo encontra conforto em sua religiosidade.    No passado e no presente  essas relações vão unindo  e    criando novas formas de pensar, de vestir,de comer, de amar, de opiniões, de praticas sexuais, de amizade, das especificidades dos rituais que envolvem o universo amoroso no sertão caririense  .
As fontes orais colhidas  nos permitirá uma vivência  com  componentes usuais materiais,sociais e também culturais  do passado que envolviam o universo dos enamorados,o papel da mulher e do homem como ser sentimental e o valor dado aos componentes que dão sentido ao presente,percebendo o passado no presente e vislumbrando quem sabe um futuro.
    Considerando as   realidades e as relações sociais   amorosas como fatores de impulsão na formação de   conceitos no presente e no passado o conhecimento  das histórias afetivas dos viventes de outrora e os de hoje  nos dá ferramentas para a comparação das diferenças e as similaridades dos variados momentos sociais ao qual as manifestações de afeto se revelaram e se fizeram e se fazem.Essas  mudanças ocorridas no campo dos sentimentos   não se desvencilham do surgimento  dos sentimentos individualistas no Brasil, dos ideais de liberdade,das propostas democráticas de igualdade  difundidas pela Europa do século XIX, contudo consideraremos  nesse contexto  a igreja, sua desvinculação do Estado e a religiosidade que permeia esses momentos históricos.   Suas influências nos contextos propostos, compreendendo esses lugares para  assim compararmos  diferenciando e assimilando suas similaridades
As memórias dos viventes as suas representações coletivas, as comparações partindo do presente numa perspectiva da História/Memória serão elementos que  darão o norte para a pesquisa. Para esclarecer como a pesquisa vai trilhar esse caminho  elegemos alguns comentários de sociólogos, antropólogos e historiadores nos quais a  pesquisa se pautará.  Começaremos pelas observações do historiador (Peter Burke), mas ao longo da dinâmica e dos eventos que ocorrerão durante a sua execução outras fontes secundárias serão norteadoras do projeto de pesquisa aqui proposto:

“[...] acrescenta , porém,que a comparação é feita de maneira a permitir a constatação das diferenças”.
(BURKE,Peter, pag.36)

“Ora, esse tempo verdadeiro é por natureza, um continuum.É também perpétua mudança. Da antítese desses dois atributos  provêm os grandes problemas da pesquisa histórica[...]
 (LE GOFF, Jack, pg.55 e 56)

“Ao valorizar o passado o historiador faz uma inversão no seu conceito’
(REIS, Carlos, pg. 12 e 13)

 “A massa pós moderna, no entanto é consumista, classe média, flexível nas idéias e nos costumes. Vive no conformismo em nações sem idéias e acha-se reduzida e atomizada (fraguimentada) pela mass-média ,querendo o espetáculo com bens e serviços no lugar do poder. Participa, sem envolvimento profundo, de pequenas causas inseridas no cotidiano – associação de bairro, defesa do consumidor,minorias raciais e sexuiais, ecologia.
(SANTOS, José Ferreira dos, pg. 90)

[...] em suma   as sensibilidades estão presentes  E homens produzem em todos os tempos. Pensar as sensibilidades, no caso, é não apenas mergulhar no estudo do indivíduo e da subjetividade, das trajetórias de vida, enfim. É também lidar com a vida privada e com todas as suas nuances e formas de exteriorizar ou esconder – os sentimentos”.
(PENSAVENTO,Sandra Jatahy, pg. 58)
“Também acredito que estamos ficando mais eróticos, não menos. Diz-se dos adolescestes de hoje que eles estão expostos a zilhões de megabytes de informações sobre sexo e que essa overdose irá atrofiar seu senso de exploração e experimentação. Não é verdade. De uma perspectiva antropológica, durante milhões  de  anos os filhos de seus ancestrais estiveram expostos à cena de seus pais fazendo sexo, lado a lado, apertados na pequena cabana que abrigava a família inteira[...]”
.                                                                                 (FICHER,Helen, 1993. Pg.33)
Essas observações dão um grande contribuição para as propostas da pesquisa, para as formulações conceituais do trabalho histórico e para a construção de um passado através das suas memórias dos usos materiais sociais da época, os identificando no presente , percebendo as diferenças entre presente e passado, pretendendo lançar um olhar para as relações afetivas das  próximas gerações.   
Para melhor entendimento algumas fontes orais já coletadas e transcritas aqui relatam as experiências enamoradas de algumas senhoras e senhoras em épocas diferentes ,certamente essas fontes primárias colaborarão para a noção dos momentos,  das  situações   ao qual cada depoente viveu, conduzindo a pesquisa as comparações das especificidades, diferenciando-as no intuito de esclarecer os processos históricos sofridos pelos enamorados caririenses. No final dos anos 40 início dos anos 50 a Senhora Maria Nazaré de Deus nascida no ano de 1926  hoje  com 85 anos vivia na cidade de Jardim, onde seu pai tinha um pequeno comércio, lá se vendia comidas e também bebidas como ela diz “vendia da tudo”. Relata como se deram suas experiências enamoradas com riqueza de detalhes e lucidez. De início conta como foi o desenrolar do seu namoro com seu falecido marido, lembrando de objetos que fazia parte do seu cotidiano, amizades, religião, flertes e particularidades do seu tempo de namoro e também de casada, porque acreditamos que casados também namoram.
Eu estava noiva dele, e ele foi pruma festa e arrumou uma namorada e eu fui lá onde ele estava junto dos colegas dele, e os presentes que ele me deu eu joguei nos pés dele e disse a ele que ele desaparecesse das minhas vistas, aí eu arranjei outro, mas eu quando vi esse primeiro que eu arrajei, vi cruzar as pernas aí eu caí fora, pensei esse é boneca (gargalhada). Aí depois arrumei outro me correspondendo com um que tava em Fortaleza, e esse eu já tava comprometida. Que meu pai queria muito. Aí fui puma festa e arrumei outro, quando eu cheguei meu pai quase que me batia porque dizia que era um rapaz muito bom e eu tinha feito um papel muito feio, aí eu deixei pra lá aí voltei com Juarez, quando eu voltei com Juarez aí ele fazia as serenatas e dizia na música tanto que eu amei a Madalena e hoje  amo a Maria Nazaré.Aí meu pai disse Maria tu tá escutando tão falando no nome de tua fia, aí ela respondeu é a música Joaquim que é assim e eu olhando por a brecha da janela. Eles tavam tão bebo que tiravam a roupa e ficava só de cueca ( gargalhadas). A filha de dona Nazaré chamada Liduina diz: a esculhambação já existia era naquele tempo.Dona Nazaré: Não! mas era meia noite e Jardim era no escuro  num tinha luz não, era tudo bebo. Os tecidos pra meus vestidos vinham do Recife, eu comprava em toda loja, toda semana cada dia de festa era um vestido e a anágua era aquela bem dura, os vestidos era de uns tecidos de seda bem fininha e outros era mais grossos aí eu tinha um vestido verde que era de preguinha e bordado que eu bordei, eu bordava eu num sei mais nem pra onde vai mais,meu vestido de casamento foi feito aqui no Crato com Léo Piacó. Costureira famosa. O nome do meu marido era Juarez Prestes de Alencar Peixoto, Prestes não é família. Preste é porque o pai dele simpatizava com a Coluna Prestes queria que eu botasse o nome de Liduina de Leocádia eu disse não, mas ele não era comunista. Só quem tinha rádio era Francisca Lócio e Padre Alcântara. Todo domingo eu ia  pra missa e fazia parte da cruzadinha e ajudava o padre rezar na hora da missa, viajava com o padre pois havia a reclamação do coração de Jesus e dei uma queda bem grande com o cavalo de prata e a felicidade é que eu tava com uma calça comprida, se não tinham visto era tudo. Na Semana Santa eu ia todo dia pra igreja, na sexta feira santa eu passava na igreja até de madrugada, eu dizia a meu pai eu gostava muito de rezar mas também gostava de dançar, eu dançava no prédio que pertencia ao povo da UDN nesse tempo era UDN e PST, meu pai era do PST, mas eu só ia pras festas da UDN porque  os rapazes de lá dançava muito bem e as músicas eram melhores.Era Samba, Xote, Macha, Baião já tinha Luiz Gonzaga, quando havia festa de Santo Antônio a gente ia pros sítios arrecadar esmola pra igreja aí andava muito o povo dava galinha, capão aí o padre fazia leilão na festa em Jardim.Quando havia festa de São João a gente ia pro sítio. A serenata que Juarez fez foi bem pertinho da porta lá de casa,aí eu ficava olhando pela brecha da janela era bem escondidinho eles saiam de ponta de pé, meu pai num deixava eu abri a porta não.As músicas que a gente escutava era Aurora, Jardineira, tinha uma que dizia ‘Aí que chamego bom, aí que chamego bom”. Os namoros era na calçada, namorado do lado e a mãe no méi, aí eu dizia _ Mãe Juarez quer um cafezinho,quando elas saía ele me dava um beijin na testa e um de lado escondido (risos), o café era feito no fogão a lenha, tinha pão de ló, queijo manteiga, Juarez viajava na segunda e chegava na sexta ia trabalhar, ele trabalhava na SUCAM, passei um ano namorando com Juarez , a metade do ano passei namorando escondido, um dia meu pai chegou e disse _ Hó, eu num quero você namorando escondido, você tem casa e é nas vistas de sua mãe. Eu namorava escondido na casa de uma amiga. Um dia a mãe da menina pegou ele me beijando eu fiquei doidinha pedi até pelo amor de Deus que ela num dissesse  lá em casa. Lá em casa tinha uma pipa de cachaça. Ai tinha uma amiga que ia lá pra casa um dia ela disse: Nazaré vamo tomar uma pra poder a gente tomar banho,aí eu disse na., um dia ela bebeu e se embebedou aí deitou e papai perguntou _Nazaré o que  essa menina tem? Aí eu disse _ ela tá com uma gastura. A gente lavava o cabelo com sabão, e pra ficar bonito colocava óleo de mamona,passava no rosto carbono rosa como ruge, e já tinha batom, se perfumava com leite de colônia e no cabelo fazia uma trunfinha na franja pra cima e fazia duas tranças.Usava um sapato preto de saltinho de couro e dava um laço em cime e também tinha uma sandália que amarrava na perna baixinha. Quando eu saí grávida pela primeira vez eu num saia na rua de Jardim com vergonha do povo, do que eles iam dizer do que eu fiz (risos). A gente fazia leite pra os bebês com a massa de  e a mamadeira era o vidro do Biotônico Fontora, eu num dei de mama não tinha pus no meu peito.Depois nós viemo morar no Crato.
            O Sr Gilberto Borges e a Sra. Francisca Amorim Borges professora aposentada chamada por Zildene e ele por Zito, casados a 55 anos, moram hoje no Sítio Campo Alegre ao sopé da Chapada do Araripe, alguns hectares deixado de herança  pelo o pai empreendedor do Sr. Gilberto, seu nome era  Francisco Borges dono da Usina Babaçu onde se produzia sabão e óleo de babaçu usina muito famosa na década de 50. O casal cedeu seu depoimento no quintal gramado e bem cuidado do seu sítio, lugar bastante agradável com brisas frescas e muitas fruteiras. Geraram oito filhos desses três nasceram no mesmo dia, hoje com dezesseis netos e seis bisnetos se divertem com os pequenos no agradável sítio onde residem. Em relação a surpresa da chegada dos trigêmeos o Sr.  Gilberto brinca dizendo ‘eu fui dormir com cinco filhos e quando me acordei tinha oito”. Ele hoje está com 85 anos e ela  com 79 anos, ele descendente da tribo  indígena cariri, tem os cabelos lisos e grisalhos, uma pele bem corada e saudável para sua oitava década de vida. Ainda sobe em árvores, limpa mato e tem seus dentes conservados  , uma aparência muito boa. Percebe-se que em sua mocidade foi muito cobiçado pelas moças da cidade pela seus dotes físicos e também pelos suas posses financeiras.  O casal relembrou os tempos que os casais enamorados se encontravam nas praças, calçadas e cinemas ao som das amplificadoras a luz de geradores  na cidade do Crato.   O Sr. Gilberto Borges e Sr. Francisca Amorim Borges deram sua contribuição a pesquisa contando alguns fatos que guardam bem em suas memórias:
 Sr. Gilberto :“As amplificadoras ficavam nas ruas dos Cariris lá em cima, tinha outra no seminário, e tinha outra lá no Alto da Penha, era Wilson Machado o locutor, era nessa faixa 1946, 1950 , era o pessoal ia pra Siqueira Campos paquerar, dia de domingo ficava rodando como boi, nesse tempo tinha o cinema Cassino, o Moderno. Tinha as serenatas eu ainda fui bem umas três no tempo de Wilson Machado, iam muito era lá pro colégio Santa Teresa, naquele tempo só tinha esse colégio aqui no Crato, tinha as Internas a noite ai eles iam cantar lá, (a senhora Francisca rir), as que tinham namorado.Tinha uma música de Galbir Peixoto que saia muito na impressa de propaganda  na amplificadora era de Galbir Peixoto A Pérola e o Rubim, saia as de Nelson Gonçalves também, Orlando Silva, Ângela Maria. As roupas era tudo roupa moderna. A Sra. Francisca interrompe e diz :” Ha minha filha você precisava vê como esse aqui era vaidoso, era conhecido. Ele volta a falar: “Naquele tempo as moças não usava calça. nera Zildene ? A roupa era pra frente, talvez hoje não tenha umas roupas modernas como aquelas era paletó, era colete, eu usava colete naquele tempo.Mandava fazer num tinha roupa feita naquele tempo não.eu mandava fazer por Rivadave, fazia bem feito os palitos as calças, mas aqui acolá aparecia as camisas feitas e a gente começou a comprar. Sra Zildene: “Eu achava tão bonitinha uma camisa que Zito tinha era fechada um decote de canoa, e abotoava nos ombros.Era lindo esse modelo. Sr Zito:” Naquele tempo as moças só usava vestido. Sra. Zildene: Os vestidos era bem rodado, as anáguas ia pra açula de tão rodada. Era de algodão, de linho, organdisa.Sr. Zito : “Naquele tempo Zildene num tinha biquíni, esses biquínis de hoje não. De que era? Naquele tempo usava muito roupa de borracha eu tinha uma roupa de borracha, era amarela, palito e calça de borracha, era um tecido que tinha que a bicha chega voava assim .Era bonito era nem todo mundo tinha não roupa de borracha. Nas serenatas eu ia só pra ouvir. Esse Vicente Madeira o pai de Pitorra que morreu com pouco  dias o irmão dele Audísio que tocava muito violão bem e Wilson Machado levava pra eles tocarem eles tocavam muito tinha Geraldo Tristeza, cantava. Cantava muito bem, tinha Geraldo Maia um bocado de cantor véi ai, que ia pras serenatas cantar, lá no  Santa Tereza, elas ficavam ouvido abriam as janelas, abria mas as irmãs não deixava as vezes, que ali era de freiras, eras as internas, vinham de fora, vinham estudar aqui no colégio só tinha o Santa Teresa, vinha gente de todo canto estudar aqui, vinha do Piauí, vinha do Pernambuco, todo mundo estudar aqui e nesse tempo tinha o Diocesano num era Diocesano era Ginásio Diocesano só tinha esses dois colégios e a Associação  Comercial e o Seminário São José . Sra Zildene:” Olhe a Praça Siqueira Campos era o ponto de atração da gente, todo domingo a gente tinha que colocar um vestido novo pra ir pra lá, aí ficava rodeando. Lá era que a gente arrumava os namorados, nesse tempo não era paquera era flerte era flertar, a gente ficava olhando pra eles assim volteando e eles ficavam em pé assim, era um tempo muito bom. Eu sempre usei cabelo curto já era a moda o povo já usava. Sr Zito:” A amplificadora da Siqueira Campos ficava onde é aquela loja de material de construção vizin a Duda de Thomas Osterne era ali, era umas cadeiras de Gerdau era pequenininha o Wilson Machado lá dentro falando , Aderbal Carvalho também era locutor, Vicente Alencar o avô de Careca também era locutor. Se encerrava nove hora da noite era uma música bonita pra se encerrar o programa. Sra. Zildene:” ali na rua dos Cariris, papai tinha alugado uma casa pra gente lá. Aí eu escutava a amplificadora  “alô fulana de tal você é linda, eu estou apaixonado por você”, aí ficava dizendo num sabe. Você conhece um rapaz assim, assim, pois olhe eu estou aqui esperando era assim. Ficava os recadinho. Você é linda, você é num sei o que. Namorava na praça, namorava....agora os namoros era diferente dos de hoje, pra haver um beijo tinha que ser escondido demais, até pra pegar na mão era uma coisa de outro mundo, eu me lembro que uma vez eu arranjei um namorado.....ha, há,há, eu nem me lembro mais quantos namorados eu tive,eu tava lá casa das meninas de Sandra de Marli, aí Marli namorando com Miguel Teles, aí o meu namorado boto a mão no meu ombro.aí Miguel disse : _epa você não é noivo...H.á,há,há. Sr. Zito:” Eu tive umas três ou quatro namoradas antes de casar, tinha uma de Lavras da Mangabeira,tinha uma que era do tempo que ela terminou e foi pro Recife, morava ali por trás da clínica de Dr. Luciano, casinha fraquinha mas ela era estudante ela era de Milagres, duas, três tinha umas três ou quatro namoradas. Sra Zildenia: Tinha Lurdes. Sr Zito:” Aquilo ali foi pra frente”(expressão de aborrecimento).Sra. Zildene:” Mas foi nesse tempo”. Sr. Zito:” Aí no Crato mermo só tinha essas três.Tinha que ir pra casa as vezes se encontrava lá na praça, elas iam pra casa nove horas, nove e meia, elas iam mais as colegas pra praça, num faltava não. Nesse tempo a Praça da Sé num tinha nada não, era chei de taboqueira, capim, agente pastorava as vaca ali, era bem pertin, só tinha a praça Siqueira Campos, na praça da Sé num funcionava nada só tinha a Igreja. Num existia xampu não, lavava o cabelo com sabonete, sabonete Gessi e Levi há, há,há. Os rapaz usavam muito era brilhantina no cabelo a bicha dexava o cabelo duro pra pentear. Num tinha lambreta não só uma aqui e acolá .Mas na praça tinha os carros de praça na praça tinha,  Pedro maia, tinha Maru carro antigo 1946, era os carro antigo, carro de capota de pano”. Sra. Zildene:” Era tão bonito o carro que Zito tá dizendo, Zenilda foi se batizar nele, nesse Pedro Maia”.Sr. Zito:” As moças entravam no carro ia para o clube, saia da praça pras matinal, vesperal, as festas a noite,pouca gente tinha carro particular, o filho de papai que tinha carro era rico. Era tudo carrin de praça, em 1950 foi quando papai comprou o primeiro jipe, naquele tempo usava jipe eu comprei um jipe pra mim, papai todo ano trocava, aí quando começou a aparecer aquelas camionetas Ford aí papai comprou bem umas três, todo ano ele mudava pra uma nova, tinha uma amarela era bonita, tinha uma azul também, e quando chegou aqueles carros era um sucesso, os carros era 46, 28,29. Todo domingo tinha vesperal lá no Crato Tênis Clube em 1950, 51, 52, tinha a orquestra e as vezes vinha de Fortaleza aquele conjunto Iranildo e seu Conjunto tocava bem , armaria! quando Iranildo vinha as festas eram um sucesso,tinha Deoclécio, tinha Nélio Cleitom tudo era músico, tudo era bom,era bolero, era Samba canção,era tango, tocava mais bolero, tocavam música internacional”. Sra. Zildene:” As festas eram animadas demais. A matinal terminava 13:00 hs, num era Zito?Eu sempre ia à missa aos Domingos’. Sr. Zito:”Os sapatos daquele tempo  era mais bonito do que os de hoje, de hoje é uns sapatos fei bicudo. Tinha a sapataria Azteca que era de Aldemir irmão de Modesto, ele trazia e vendia de um material bonito assim tinha toda cor né, tinha amarelo, tinha bege as cor bonita é, camurça, sapataria Azteca. Só tinha a sapataria Azteca aqui no Crato”. Sra Zildene: “ Agora ele só vendia coisa boa, ele vendia tudo vendia roupa, sapato vendia tudo”. Sr Zito: “sapato da moda”. Sra Zildene:” Eu usava sapato alto. Eu gostava muito de sandália alta até parecidas com as de hoje”. Sr. Zito: “Os tecidos a gente comprava aqui, tinha lojas aqui no Crato, tinha As Casas Abraão, as Casas Pernambucanas tinha várias lojas a gente comprava os tecidos linho branco”. Sra. Zildene: “Tinha A Casa Jucás, Eu casei em 57 essas lojas já tinha todas”. Sr. Zito:” As casa Abraão . Aquilo é antigo de 1920, o pai de Zélia de Hipólito tinha uma loja ali na Zé Carvalho, Casa do Retalho ali perto dos caixão  dos defuntos eu me lembro, que Zé Correia ele trabalhava lá,a Casa Abraão era uma casa mais antiga de tecido, vendia chita,linho todo tipo de tropical naquele tempo tinha um tal de tropical pra fazer roupa, tinha muita casa de tecido no Crato naquele tempo num tinha roupa feita. As costureiras de Zildene, tinha Loló Piancó, meu alfaiate era Rivadave, Geraldo Emídio era que fazia minhas roupas”.Sra. Zildene:” tinha Anita que costurava muito bem, irmã de Maria e de Olivia tinha aqueles armarinhos que agente comprava batom, as maquiagens, na Cratense vendia também, já nesse tempo existia a Cratense, já tinha ruge, já tinha batom”. Sr. Zito: “Agora os perfume daquele tempo também era bom era Flor de Maçã, era Whith Magnólia era uns perfume bom.era uns perfume bom danado”. Sra. Zildene :” mais era bom”.Sr. Zito: “era Dernié Gri comprava lá na casa Abraão”. Sr. Zito:” Era uns perfume que durava num se acabava não. Num era enjuento naum os perfumes.O melhor que tinha era Flor de Maçã. As serenatas saia nos bairros, ia as casas onde eles tinha as namoradas, aí para os bairros. Ali no Santa Tereza tinha uns que tinham as namoradas lá interna, ia tudo pra lá e os que num tinha.......isso era doze hora da noite que começava era na noite de lua”. Sra. Zildene:” Sim nesse tempo no Crato não tinha luz a energia era fornecida pela Nascente, chegava cedo, mas a luz tão fraquinha. Quando era doze hora apagava, aí quando tinha a Babaçu tinha o motor lá na Babaçu, quando apagava tudo quanto era de luz na rua aí acendia a da Babaçu”. Sr. Zito:” Eu me lembro de um verso que eles recitavam “Em Brancas Praias” eu num me lembro mais não(risos). Sra. Zildene : tinha uma de Orlando Silva que dizia “esta será a última canção que eu cantarei ao me despedir”aí eu num sei mais como era, aí tinha uma parte que era recitando “com os olhos rasos d’agua, os olhos cheios de mágoa, ó mulher eu nem me lembro. Achava tão bonita”. Sr. Zito : “Ângela Maria saía muito”. Sra. Zildene : “aí conversava e cantava de novo é de Orlando Silva Última Canção”. Sr. Zito:” quem gostava de poesia era Bagage que gostava dessas coisas. Lá no Santa Tereza era no segundo andar”. Sr. Zildene: “Fiz uma casinha branca lá no pé da serra pra nós dois morar.... nananannnn.... não me lembro, depois tu vem, eu vou me lembrar de mais coisas.

A vendedora de bombons da Praça da Matriz também deu seu depoimento,  estava em companhia da sua filha enquanto relatava seu encontro com o amor em sua juventude, hoje está com cinqüenta e sete anos. Sua jovem filha  achava muito engraçado vê a mãe falar sobre o assunto e enquanto ria prestava atenção ao relato. A senhora sentada em um banquinho de ferro a sombra  de um Juazeiro, gesticulava muito com as mãos  e sorria com a boca sem os dentes superiores relembrando os encantos da sua juventude.
meu primeiro namorado foi meu marido, tive dezenove filho e ainda hoje vivo com ele, muito bem. Agora no meu caminho já houve gente pra destruir nossa vida, mas eu confio muito em Deus e até que me saí, ela não teve chance de tomar meu marido. No meu caso eu fui uma menina, que nunca gostei de beijo em boca, nunca tive chance não, quando eu comecei a namorar com meu noivo que é o meu marido, era meu pai minha mãe, perto de mim ou então minhas irmãs, nuca deixava..... a filha da vendedora de bombons interrompe e diz: “Tinha as Cartas que ele mandava nera mãe?” Ele me chamava Mileid, e era ele que escrevia e mandava uma pessoa entregar pra mim, eu tinha dezesseis anos, passamo namorando dois ano, aí se casemo, nois morava ali no terreno de Elídio Monteiro no Coité, era arrendado, e a gente trabalhava de roça e até hoje nois trabalha de roça. As minhas colegas dizia que a gente tem que se arrumar, mas meu noivo mermo dizia que pra mulher pra ser bunita num precisa se arrumar não, ele dizia que não precisava se arrumar não e até hoje eu levo minha vida. De vez em quando eu coloco um batom,ah de brinco eu gosto eu tenho um monte, mas eu num dô bem valor a usar não, pulseira eu gosto, anel eu gosto. Ai meu Deus do Céu, mulher era aquelas pulseiras de bijouteria feita daqueles aramin amarelo minha mãe comprava e me dava aquele relogin também minha mãe me dava e a gente ia pra festa, mas agente só andava pra festa mais pai, mais mãe ou alguma tia mas num era tão de confiança não, nós andava  quando era  festa na Praça Padre Cícero, no aniversário do Padre Cícero, era eu tinha de 13 a 14 anos até 15 aí quando eu completei 16 anos aí eu me casei e pronto minha vida é assim, nunca dancei não, tinha Luiz Gonzaga  ainda hoje eu gosto de Luis Gonzaga,Roberto Carlos eu adoro ele as música de hoje eu num gosto naum.
Essas histórias nos diverte e também nos intriga as histórias são de lugares diferentes e de momentos diferentes , mas estabelecem ligações intrínsecas. Mesmo  com o passar do tempo , observamos que a história da vendedora de bombons é carregada de moralismo, de valores construído sobre o amor da carne, o desejo como causador de dores de males de doenças e nesse sentido ela diz, que acha nojento beijar na boca, ato que permeia o mundo dos enamorados e que todo casal sente o desejo de fazer principalmente quando está no início das paixões, e todos os depoentes revelam que esse momento do ato de beijar era algo intimidador, mas podemos perceber que a vendedora em seu depoimento deixa bem claro que ela não gosta de beijar,. Nas nossas cabeças vem a pergunta: Como ela não gosta de beijar e teve dezenove filhos?E a resposta também vem ela mantém relação sexual  com seu marido sem beijar. O segundo depoimento os relatores não comentaram sobre seu noivado, nem sobre o namoro dos dois, mas sei que eles fugiram e passaram cinco dias em algum lugar que pretenderemos saber. As Cartas da senhora vendedora também serão alvo da pesquisa aqui proposta. Como também as cartas que a nossa Maria Nazaré também recebia e também enviava para o seu namorado em Fortaleza. Pretendemos enriquecer os depoimentos tentando enfocar os  dias encantados que rodeiam os enamorados antes do ato de casar e as noites de núpcias dos noivos também serão alvo de nossa pretensiosa  pesquisa. Entrevistaremos a Senhora filha do acendedor de lampiões da rua Dr. João Pessoa como também seu filho. Ex-prostitutas do bairro Gesso,como também as atuais, amantes de honrados pai de família, os boêmios, seresteiros, radialistas donos de bares como o Sr Nenen, geração Paz e amor década de 70, universitários e estudantes do ensino médio público e privado dos nossos tempo. Colheremos através de jornais das décadas passadas  casos de fuga de noivos,de eventos sociais, afim de saber o que acontecia na cidade e quais as tendências coletivas.  Comparando e diferenciando-as nos distanciamentos temporais e atemporais e nas proximidades temporais e atemporais.




também por transformações mesmo mantendo suas tradições em seus inscritos e suas concepções  ela também teve  que se renovar em seus discurso introduzindo neles assuntos tabus como a liberação dos métodos anticonceptivos, o surgimento de novas doenças sexualmente transmissíveis e outros mais que permeiam o nosso tempo  ainda hoje  acredita que todas alas se fizeram por se tratar  das vontades Divinas ao  sem  nesse passado com sua cultura inspirada em experiências românticas e arraigada aos valores morais  religiosos o indivíduo acredita em Deus, crê-se que  Deus trará soluções divinas às suas realidade de fome de pobreza acalentadas nessa simbólica representação da existência do Ser divino ,as sertanejas e  os sertanejos se de uma vida plena de felicidade é também aquele que uni e também separa os casais. Nessa sociedade os discursos religiosos pensados e justapostos são massificados na intenção de se  criar o mito e dele partir a essência do existir  definindo e redefinindo o valores  tradicionais influenciando os usos e costumes .Esses valores  se modificam transformando e conservando particularidades que lhe dão uma indentidade num dado momento histórico refletindo no individuo. Essa identidade é criada coletivamente dentro de suas tradições e das inovações que surgem com o passar dos anos. Homens e Mulheres vão se relacionar afetivamente  prorizando a  tradição dos costumes e as moldando  ao seu tempo baseadas As relação amorasas se modificam e se molda ao moderno  arraigada aos valores da família formada  moralmente em concepções religiosas   construída no campo coletividade vivido pela sociedade  vão mudando  usos e costumes  nos viventes do passado.